Horror

Foto: The Economist

Há coisas que simplesmente não fazem sentido.

Sequestrar inocentes – mais a mais crianças! – como meio para atingir um fim (sempre meritório) como é o da auto-determinação.

Utilizar meios de guerra (lança-roquetes, carros de assalto blindados!) para tentar pôr cobro a esse mesmo sequestro.

A guerrilha chechena poderá ter marcado pontos ao eliminar o presidente-fantoche imposto pelos russos, bem como as altas patentes militares que o rodeavam – sem causar vítimas civis – há umas semanas atrás. Mas perdeu qualquer réstia de apoio e credibilidade a nível internacional ao abater dois aviões comerciais em Agosto, e ao originar o massacre de 366 civis, metade dos quais crianças na sua primeira semana de aulas, na semana passada.

O governo russo não marcou quaisquer pontos ao revelar mais uma vez a baixa cotação em que tem as vidas dos civis (ou dos militares, como demonstrou a tragédia do submarino Kursk e a teimosia do Kremlin ao recusar ajuda externa para a resolver). Mostrou não ter aprendido nada com o sequestro do teatro moscovita pelos mesmos assassinos chechenos. Não é sendo parte activa em banhos de sangue como o de Beslan que se demonstra firmeza em relação ao terrorismo internacional. Não é também atiçando o fantasma do integrismo islâmico ou de eventuais apoios da Al-Qaeda numa questão que tem o seu início e o seu fim na vontade de independência de uma república integrante da Federação Russa. Não é certamente com o apoio incondicional que Bush ofereceu, mais uma vez, a Putin e aos seus métodos criminosos depois do massacre de Beslan. E porquê a recusa liminar do presidente russo à abertura de um inquérito à actuação dos militares do Kremlin na tomada da escola na cidade da Ossétia do Norte?

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